Sobre a vacina COVID 19 em mulheres no período periconcepcional – Apesar de ainda não termos definido aqui no Brasil quando e qual ou quais as vacinas que teremos disponibilidade, inúmeras dúvidas vem surgindo, especialmente para as mulheres tentando engravidar.  Por isso, vou comentar aqui algumas recomendações atualizadas, liberadas no dia 21 de dezembro pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), sobre a vacinação contra a covid-19 em pacientes no período periconcepcional. As duas vacinas liberadas atualmente para uso nos Estados Unidos, a Pfizer-Biotech e a Moderna, utilizam o RNA mensageiro. As orientações abaixo são, portanto, relativas a estas duas vacinas.

Para pacientes elegíveis à vacinação, a ASRM não recomenda que a vacina seja sonegada àquelas que estejam tentando engravidar, estejam grávidas ou amamentando, uma vez que vem aumentando os relatos de que mulheres grávidas tem maior probabilidade de apresentar complicações mais severas do que aquelas da mesma idade que não estejam grávidas. Este é o embasamento para indicar a vacina também para este grupo de pacientes. Várias outras importantes sociedades internacionais (CDC, ACOG, Society for Materno-Fetal Medicine SMFM) corroboram esta orientação.

Muito importante esclarecer que não existe risco de contrair a covid-19 pela aplicação da vacina, pois a mesma não contém vírus vivo e sim partículas de RNA mensageiro, o qual não pode causar a doença. Por não conter vírus vivo, também não existe risco de a vacina causar infertilidade, perda gestacional de 1º ou 2º trimestre, natimorto ou malformaçãoes congênitas.

Pacientes em tratamentos de fertilidade devem ser encorajadas a receber a vacina. Como a vacina não contém vírus vivo, não há razão para postergar as tentativas de engravidar ou postergar o tratamento até a realização da segunda dose.

Importante salientar que gestantes e lactantes foram excluídas da fase III dos  estudos iniciais,  portanto dados específicos de segurança destas vacinas nesta população ainda não estão disponíveis . Entretanto, o mecanismo de ação das vacinas de RNAm e os dados de segurança existentes, asseguram seu uso durante a gravidez.

Não importa qual a fase da gestação que a paciente se encontre, seja no período pré concepcional, 1º, 2º ou 3º trimestre ou período de lactação, a recomendação permanece a mesma . A recomendação da força-tarefa é que os benefícios potenciais ainda superam os riscos teóricos da vacina que certamente evita contrair a doença.

A decisão a favor da realização da vacina deve ser uma decisão conjunta entre médico e  paciente. Fatores que devem ser considerados são o risco individual de cada paciente de contrair o vírus (ambiente de trabalho, estilo de vida, comorbidades) e os potencias riscos da covid 19 ao feto. Algumas pessoas poderão escolher postergar a vacinação a ou a própria gestação.

Enquanto isso, aguardamos ansiosamente pela liberação aqui no Brasil.

 

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